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Sintomas do climatério: quando a queixa não deve ser atribuída apenas aos hormônios?

 Saudações, doutores!  Ondas de calor, alterações do sono, fadiga, mudanças no humor, dificuldade de concentração e sintomas geniturinários são queixas frequentes durante a transição menopausal. Diante desse cenário, é comum que diferentes sintomas sejam atribuídos diretamente à queda dos estrogênios. Mas o raciocínio clínico precisa ir além disso. A transição menopausal é um período marcado por alterações hormonais e mudanças no padrão menstrual, mas os sintomas podem ter múltiplas causas e variam consideravelmente entre as mulheres. Por isso, a avaliação deve partir da história clínica, do padrão dos sintomas e do impacto que eles provocam na qualidade de vida. O sintoma é real, mas a causa pode não ser única Uma paciente no climatério pode apresentar fadiga, insônia ou alterações de humor relacionadas à própria transição hormonal. Mas essas mesmas queixas também podem estar associadas a distúrbios da tireoide, anemia, alterações metabólicas, medicamentos, transtornos do son...

Hirsutismo: quando investigar além da queixa estética?

   Saudações, doutores! O hirsutismo é uma queixa frequente no consultório ginecológico e pode ser interpretado inicialmente apenas como uma questão estética. Entretanto, em algumas pacientes, o crescimento excessivo de pelos em padrão androgênico pode ser uma manifestação de hiperandrogenismo e indicar a necessidade de investigação endócrina. A avaliação começa pela caracterização clínica. É importante observar distribuição dos pelos, intensidade, evolução do quadro e presença de outros sinais associados, como acne, alopecia androgenética, irregularidade menstrual ou infertilidade. A escala modificada de Ferriman-Gallwey pode ajudar a objetivar a avaliação do hirsutismo. As diretrizes internacionais recomendam considerar também o impacto psicossocial da queixa, independentemente da intensidade aparente. OUP Academic Nem toda paciente com pelos precisa de uma bateria de exames A presença de pelos isoladamente não significa necessariamente hiperandrogenismo. Em mulheres com cic...

Insuficiência ovariana prematura: quando suspeitar e como confirmar o diagnóstico

  Saudações, doutores!   Amenorreia ou irregularidade menstrual antes dos 40 anos nem sempre representa apenas uma alteração transitória do ciclo. Em determinadas pacientes, esse quadro pode ser a manifestação de insuficiência ovariana prematura (IOP), condição associada à redução da atividade ovariana antes da idade habitual da menopausa. O diagnóstico é particularmente importante porque as repercussões ultrapassam a esfera reprodutiva. A IOP está relacionada a consequências sobre saúde óssea, cardiovascular, função cognitiva, sexualidade, fertilidade e qualidade de vida. OUP Academic Quando levantar essa hipótese? A suspeita deve surgir diante de amenorreia ou ciclos irregulares persistentes em mulheres com menos de 40 anos, especialmente quando o quadro é acompanhado por sintomas de deficiência estrogênica. De acordo com a diretriz internacional publicada em 2024, o diagnóstico deve considerar alteração do ciclo menstrual por pelo menos quatro meses associada a FSH >25 I...

Sangramento uterino anormal: quando o “é hormonal” não explica tudo

 Saudações, doutores! Alterações no padrão menstrual são uma das queixas mais frequentes no consultório ginecológico. E justamente por serem comuns, existe o risco de atribuir rapidamente o sangramento a uma alteração hormonal sem investigar adequadamente sua causa. O primeiro passo é caracterizar o sangramento: frequência, duração, volume, presença de sangramento intermenstrual ou pós-coital e mudança recente do padrão habitual. A partir daí, o raciocínio clínico deve considerar causas estruturais e não estruturais. O sistema PALM-COEIN, adotado pela FIGO, organiza essas possibilidades em pólipos, adenomiose, leiomioma e malignidade/hiperplasia, além de coagulopatias, disfunção ovulatória, alterações endometriais, causas iatrogênicas e outras causas não classificadas. ACOG Nem todo sangramento irregular é disfunção ovulatória A anovulação é uma causa frequente de sangramento uterino anormal, especialmente em determinados períodos da vida reprodutiva. Entretanto, antes de concluir ...

Prolactina elevada: quando investigar e quando desconfiar de um resultado isolado?

    Saudações, doutores! A prolactina é um dos exames que mais pode gerar dúvidas na prática ginecológica. Uma elevação pode estar associada a alterações menstruais, galactorreia, infertilidade e hipogonadismo, mas nem todo resultado acima do valor de referência significa necessariamente a presença de um prolactinoma. Nature O primeiro passo é interpretar o resultado dentro do contexto clínico. Gestação, lactação, estresse da coleta, determinadas medicações, hipotireoidismo, insuficiência renal e alterações da região hipotálamo-hipofisária estão entre as situações que podem elevar a prolactina. Por isso, a investigação da causa deve acompanhar a interpretação do exame. Nature Quando a elevação é discreta, especialmente em uma paciente sem sintomas compatíveis, a confirmação do resultado pode ser importante. O consenso internacional da Pituitary Society recomenda repetir a dosagem quando a prolactina está abaixo de cinco vezes o limite superior da normalidade, particularmente q...

Amenorreia secundária: como organizar a investigação sem pedir exames em excesso

 Saudações, doutores!   A amenorreia secundária é uma queixa relativamente comum na prática ginecológica, mas sua investigação pode se tornar confusa quando diferentes hipóteses são avaliadas simultaneamente. Um raciocínio estruturado ajuda a direcionar os exames e evita tanto investigações insuficientes quanto solicitações indiscriminadas. Considera-se amenorreia secundária a ausência de menstruação por mais de três meses em mulheres que anteriormente apresentavam ciclos regulares ou por seis meses naquelas com ciclos previamente irregulares. Antes de qualquer investigação endocrinológica, entretanto, a primeira possibilidade a ser excluída é a gestação. Sociedade Americana de Medicina Depois de afastar a gestação, a história clínica é fundamental. É importante avaliar o padrão menstrual anterior, mudanças recentes de peso, exercício físico intenso, estresse, uso de medicamentos, sintomas de hiperandrogenismo, galactorreia, sintomas tireoidianos e outros sinais que possam dir...

Suplementação Alimentar no Atleta Amador: Orientações para Médicos

 Saudações, doutores! A prática esportiva tem ganhado cada vez mais adeptos entre atletas amadores, que buscam melhorar o desempenho físico, promover saúde e alcançar resultados estéticos. Nesse cenário, a suplementação alimentar tem se tornado uma ferramenta amplamente procurada, mas que exige orientação profissional criteriosa para ser utilizada de forma segura e eficaz. Para médicos, entender os benefícios, riscos e aplicações dos suplementos alimentares é essencial para oferecer um atendimento de qualidade e personalizado aos seus pacientes. Abaixo, exploramos os principais pontos que devem ser considerados no consultório ao abordar o tema. O Papel do Médico na Suplementação Alimentar Atletas amadores frequentemente chegam ao consultório com perguntas como: "Já posso começar a tomar suplementos?", "Qual é o melhor suplemento para crescer ou secar?", ou até mesmo dúvidas mais técnicas, como "Creatina faz mal aos rins?". Cabe ao médico desmistificar esse...