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Outubro Rosa: câncer de mama: entre o rastreamento e o diagnóstico precoce

   Saudações, doutores! Outubro Rosa é uma oportunidade para falar sobre câncer de mama, mas também para reforçar uma diferença fundamental na prática clínica: rastreamento e diagnóstico precoce não são a mesma coisa. O rastreamento é realizado em pessoas assintomáticas, com o objetivo de detectar alterações antes do surgimento de sinais clínicos. Já o diagnóstico precoce envolve reconhecer e investigar adequadamente uma paciente que apresenta sinais ou sintomas suspeitos. Essa distinção parece simples, mas muda completamente a condução clínica. Rastreamento não é investigação de sintomas Uma mulher assintomática dentro da faixa etária recomendada para rastreamento deve seguir a estratégia populacional indicada. No Brasil, a recomendação atualizada pelo Ministério da Saúde/INCA estabelece mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres fora dessa faixa, sem sinais ou sintomas suspeitos, também podem ter acesso ao exame no SUS mediante decisã...

Osteoporose no climatério: quando a prevenção deve começar?

  Saudações, doutores! A perda de massa óssea é uma das consequências que merece atenção durante o envelhecimento feminino. Embora a osteoporose seja mais frequente após a menopausa, o cuidado com a saúde óssea não deve começar apenas quando a paciente já apresenta uma fratura ou uma densitometria alterada. A transição menopausal é acompanhada por mudanças hormonais que podem acelerar a perda óssea. Por isso, a consulta ginecológica representa uma oportunidade importante para identificar fatores de risco e orientar medidas preventivas. Toda mulher no climatério precisa fazer densitometria? Não necessariamente. A indicação da densitometria óssea deve considerar idade, fatores de risco e condições clínicas associadas, e não apenas o fato de a paciente estar na menopausa. História de fratura por fragilidade, baixo peso corporal, uso prolongado de glicocorticoides, tabagismo, consumo excessivo de álcool, doenças associadas à perda óssea e histórico familiar de fratura de quadril são al...

Reserva ovariana: o que o AMH realmente consegue dizer?

Saudações, doutores!   O hormônio anti-Mülleriano (AMH) se tornou um dos exames mais conhecidos quando o assunto é fertilidade. É comum, porém, que ele seja interpretado como uma espécie de “teste de fertilidade”, capaz de dizer se uma mulher conseguirá ou não engravidar. E essa interpretação é simplista demais. O AMH é um marcador relacionado à quantidade de folículos ovarianos disponíveis e pode ser útil na avaliação da reserva ovariana, especialmente dentro de uma investigação de infertilidade. Mas reserva ovariana não é sinônimo de potencial reprodutivo global . ASRM Integration Um AMH baixo significa que a paciente não poderá engravidar? Não. Um valor reduzido pode indicar menor reserva ovariana, mas não determina isoladamente a capacidade de uma mulher engravidar espontaneamente. Idade, ovulação, qualidade oocitária, fatores tubários, fatores masculinos e outros elementos continuam sendo fundamentais na avaliação da fertilidade. É justamente por isso que o teste de reserva ov...

Infertilidade na paciente com anovulação: quando pensar em indução da ovulação?

 Saudações, doutores! A anovulação é uma das causas importantes de infertilidade feminina e pode estar presente em diferentes condições clínicas. Na prática, identificar que a paciente não está ovulando é apenas o primeiro passo: é preciso compreender por que isso acontece e qual estratégia de tratamento faz sentido para aquele contexto. A investigação deve começar pela história menstrual, presença de sinais de hiperandrogenismo, alterações de peso, uso de medicamentos e outras condições clínicas associadas. Quando existe irregularidade menstrual importante, a avaliação deve considerar causas endócrinas como alterações tireoidianas, hiperprolactinemia e distúrbios relacionados à função ovariana. A avaliação da infertilidade também deve ocorrer de forma paralela no casal, incluindo análise do sêmen e avaliação da anatomia e permeabilidade do trato reprodutivo quando indicadas. ASRM Integration Nem toda anovulação significa a mesma coisa Uma paciente com anovulação relacionada a uma ...

Sintomas do climatério: quando a queixa não deve ser atribuída apenas aos hormônios?

 Saudações, doutores!  Ondas de calor, alterações do sono, fadiga, mudanças no humor, dificuldade de concentração e sintomas geniturinários são queixas frequentes durante a transição menopausal. Diante desse cenário, é comum que diferentes sintomas sejam atribuídos diretamente à queda dos estrogênios. Mas o raciocínio clínico precisa ir além disso. A transição menopausal é um período marcado por alterações hormonais e mudanças no padrão menstrual, mas os sintomas podem ter múltiplas causas e variam consideravelmente entre as mulheres. Por isso, a avaliação deve partir da história clínica, do padrão dos sintomas e do impacto que eles provocam na qualidade de vida. O sintoma é real, mas a causa pode não ser única Uma paciente no climatério pode apresentar fadiga, insônia ou alterações de humor relacionadas à própria transição hormonal. Mas essas mesmas queixas também podem estar associadas a distúrbios da tireoide, anemia, alterações metabólicas, medicamentos, transtornos do son...

Hirsutismo: quando investigar além da queixa estética?

   Saudações, doutores! O hirsutismo é uma queixa frequente no consultório ginecológico e pode ser interpretado inicialmente apenas como uma questão estética. Entretanto, em algumas pacientes, o crescimento excessivo de pelos em padrão androgênico pode ser uma manifestação de hiperandrogenismo e indicar a necessidade de investigação endócrina. A avaliação começa pela caracterização clínica. É importante observar distribuição dos pelos, intensidade, evolução do quadro e presença de outros sinais associados, como acne, alopecia androgenética, irregularidade menstrual ou infertilidade. A escala modificada de Ferriman-Gallwey pode ajudar a objetivar a avaliação do hirsutismo. As diretrizes internacionais recomendam considerar também o impacto psicossocial da queixa, independentemente da intensidade aparente. OUP Academic Nem toda paciente com pelos precisa de uma bateria de exames A presença de pelos isoladamente não significa necessariamente hiperandrogenismo. Em mulheres com cic...

Insuficiência ovariana prematura: quando suspeitar e como confirmar o diagnóstico

  Saudações, doutores!   Amenorreia ou irregularidade menstrual antes dos 40 anos nem sempre representa apenas uma alteração transitória do ciclo. Em determinadas pacientes, esse quadro pode ser a manifestação de insuficiência ovariana prematura (IOP), condição associada à redução da atividade ovariana antes da idade habitual da menopausa. O diagnóstico é particularmente importante porque as repercussões ultrapassam a esfera reprodutiva. A IOP está relacionada a consequências sobre saúde óssea, cardiovascular, função cognitiva, sexualidade, fertilidade e qualidade de vida. OUP Academic Quando levantar essa hipótese? A suspeita deve surgir diante de amenorreia ou ciclos irregulares persistentes em mulheres com menos de 40 anos, especialmente quando o quadro é acompanhado por sintomas de deficiência estrogênica. De acordo com a diretriz internacional publicada em 2024, o diagnóstico deve considerar alteração do ciclo menstrual por pelo menos quatro meses associada a FSH >25 I...