Osteoporose no climatério: quando a prevenção deve começar?
Saudações, doutores!
A perda de massa óssea é uma das consequências que merece atenção durante o envelhecimento feminino. Embora a osteoporose seja mais frequente após a menopausa, o cuidado com a saúde óssea não deve começar apenas quando a paciente já apresenta uma fratura ou uma densitometria alterada.
A transição menopausal é acompanhada por mudanças hormonais que podem acelerar a perda óssea. Por isso, a consulta ginecológica representa uma oportunidade importante para identificar fatores de risco e orientar medidas preventivas.
Toda mulher no climatério precisa fazer densitometria?
Não necessariamente.
A indicação da densitometria óssea deve considerar idade, fatores de risco e condições clínicas associadas, e não apenas o fato de a paciente estar na menopausa.
História de fratura por fragilidade, baixo peso corporal, uso prolongado de glicocorticoides, tabagismo, consumo excessivo de álcool, doenças associadas à perda óssea e histórico familiar de fratura de quadril são alguns dos fatores que podem modificar o risco individual.
O objetivo não é solicitar densitometria indiscriminadamente, mas identificar quem realmente apresenta maior probabilidade de perda óssea ou fratura.
E o cálcio e a vitamina D?
A abordagem da saúde óssea não deve ser reduzida à prescrição automática de suplementos.
Avaliar alimentação, exposição solar, atividade física, consumo de cálcio, fatores de risco e possíveis causas secundárias de perda óssea é muito mais importante do que simplesmente olhar um valor laboratorial isolado.
Exercícios com impacto e treinamento de força também fazem parte de uma estratégia de prevenção, contribuindo para a manutenção da massa óssea e da função muscular.
Onde entra a terapia hormonal?
A terapia hormonal da menopausa pode ter efeitos favoráveis sobre a densidade mineral óssea e reduzir o risco de fraturas em mulheres selecionadas. Porém, sua indicação não deve ser baseada exclusivamente na prevenção da osteoporose.
A decisão precisa considerar sintomas, idade, tempo desde a menopausa, fatores de risco, contraindicações e objetivos terapêuticos da paciente.
Ou seja: a saúde óssea pode fazer parte da decisão, mas não deve ser analisada isoladamente.
O ponto central na prática
A pergunta não deve ser apenas:
“Minha paciente já tem osteoporose?”
Antes disso, vale perguntar:
“Qual é o risco dessa paciente perder massa óssea e sofrer uma fratura nos próximos anos?”
Prevenção começa antes da fratura. E a consulta ginecológica pode ser um dos momentos mais importantes para reconhecer esse risco e intervir precocemente.
Muito obrigado e até o próximo post!
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